Somente a verdade, de Fernando Paiva

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Somente a verdade, de Fernando Paiva (7Letras, 2013)

Quando tinha apenas cinco anos, Mario Lucachesi  viu o pai embarcar em mais uma de suas viagens misteriosas, mas desta vez não mais para trazer os tão ansiados chocolates belgas – para nunca mais voltar. A foto da lápide e as lágrimas da mãe atestavam a morte do patriarca, mas Mario nunca se convenceu.

O menino cresce e se torna estudante de história, guia turístico premium, filho modelo e um legítimo membro do Clube dos Mentirosos; e como tal, mestre na arte de vender ilusões, criando histórias tão sofisticadamente ilusórias que soam mais verossímeis que a pobre realidade, tão nua e crua.

Mentir é diferente de inventar uma verdade – diz um personagem – o rei sempre está nu, diz outro. Os fatos e relatos se confundem a cada reviravolta desta narrativa na qual todos parecem esconder algum segredo. Como o poeta fingidor, nosso jovem herói desenha heteronônimos tão intensamente vivos que não há como decifrar quais deles (e se eles) são apenas fruto da sua mente alucinada.

Com um perfeito domínio da arte de narrar, aliado a uma inventidade admirável, em Somente a verdade  Fernando Paiva constrói um labirinto ficcional de complexa arquitetura, na qual o leitor se perde com prazer, questionando a cada página as fronteiras do real. O que é mentira, o que é realidade, quem será o grande mentiroso nessa história? Ao se enredar na imbrincada teia imaginativa de Mario Lucachesi (ou Fernando Paiva?), o leitor embarca num jogo que reflete sobre o papel da literatura – e da leitura – comoato de criação e invenção do mundo e de todos nós.

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