Wishwanderer

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Do outro lado da cama, a caixinha vela o seu sono calada, conchas e pérolas e opalas multicores no róseo útero de cetim. Quieta, a caixinha com suas joias, quieta como o fundo do mar. Mas a menina sonha com avenidas largas e barulhentas, céu embranquecendo o chão de pedras deslizantes pela calçada, geladas pelo inverno. A menina sonha e no sonho as janelas se partem crepitando pelo quarto, ferindo os lençóis em pequenas estrelas sem sentido. If my heart freezes I wont feel the breaking. Dedos distraídos tocam a caixa, erguem a tampa ante o rosto sobre o travesseiro: a música toca e a bailarina desliza, rodopia no espelho de gelo, roda incessante – a caixinha fecha e abre, fecha e abre para olhos gulosos, molhados de sono. E a bailarina tonta não comanda os passos, não manda nos músculos. E a bailarina tonta, os pés se movem sozinhos, sem nunca tocar o chão.

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