Qualquer areia é terra firme – em breve

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CAPACortada

“A história é a mesma de sempre”, diz a narradora na abertura do livro, ainda sem saber quantas histórias cabem no futuro – ou mesmo no passado. Personagem em fuga (ou em busca), presa numa espécie de antiexílio depois de voltar ao país natal – com as lembranças (e os amores) de sua temporada europeia ainda ecoando vivamente no presente –, Isabel descobre uma trama novelesca dentro de sua própria família, e aos poucos terá que montar um verdadeiro quebra-cabeças para reconstruir a vida de Juçara, ou Juce – a jovem que lhe sorri de longe, de um velho álbum de retratos.

Com uma prosa certeira e original, Cristina Parga nos leva a experimentar os mais diversos cenários e sabores à medida que nos envolve num enredo de espelhamentos e descobertas.

Enquanto a narradora segue as pegadas de Juçara (para nela encontrar um pouco mais de si mesma), seguimos os passos de Isabel nessa busca – e nela descobrimos também um pouco mais de nós mesmos.

Se qualquer areia pode às vezes ser movediça, assim como é possível ser  quase um estrangeiro em seu próprio país, é no tênue equilíbrio entre as emoções e as vivências que se constrói este belo romance. Antes que se perceba, aquela mesma história já é outra – e estamos irremediavelmente enredados em seus labirintos, como sempre acontece com os bons livros, impossíveis de largar.

Jorge Viveiros de Castro

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