2016: Come as you are – but please, mind the flowers

FacebooktwitterpinterestlinkedintumblrmailFacebooktwitterpinterestlinkedintumblrmail


comeasyouare

Quando penso em 2015, o que primeiro me vem à cabeça são os enormes desafios e baldes de água fria que levei esse ano. 365 dias lutando contra a minha própria insegurança; 365 dias batendo a cabeça na parede para entender o mundo à minha volta; 12 meses de trabalho duro, de investimento cego no caminho que o coração apontava; de fé em alguma coisa que nem eu sabia muito bem o que era.

E, por incrível que pareça, estamos aqui, sobrevivemos. E estamos mais fortes. E estamos mais felizes.

Quando olho ao meu redor e vejo o quanto esse ano foi duro para todo mundo, só tenho a agradecer. E pedir pelos outros. Porque, se esse ano foi uma grande ladeira acima, também foi aquele em que as benções mais maravilhosas e inesperadas simplesmente caíram no meu colo. Em que eu finalmente compreendi que poderia andar sozinha. Que é melhor andar sozinha do que com pessoas que não querem caminhar pra frente com  a gente. E que elas têm o direito de virar a página – e nós também.

Em 2015 joguei fora quase todo o conteúdo da minha gaveta de remédios. Decidi andar com as minhas próprias pernas – sem muletas, sem fugas. Não foi fácil, mas valeu a pena; descobri que a sobriedade é possível, mesmo num mundo que nos assusta a cada buzinada, a cada olhar desolado das pessoas perdidas nas ruas , mesmo tendo que conviver com a pobreza, a crueldade, a miséria que nos rodeia. Descobri que a sobriedade não só é possível como necessária para tentar se não curar (não somos deuses, né?) mas  amenizar tanta dor nesse mundo.

Em 2015 meu pai ficou bom – e eu não tenho palavras para descrever o quão grata sou a todos os anjos, santos, mestres, guias e amigos que enviaram luz. Em 2015 nasceu a Talita, minha sobrinha – portuguesa, exatamente como eu sonhei. Em 2015 tive notas incríveis no mestrado, sobrevivi a um seminário apesar da fobia social (que vai melhorando cada dia mais, eu sei). Fui chamada de apática e sorri por dentro; socialmente sou apática mesmo – e tudo bem, nunca quis ser outra coisa.

Em 2015 descobri, com ele, que amar pode ser fácil, gostoso, leve e divertido – que não preciso me superar nem atingir expectativas alheias para ser amada. Que é possível crescer e construir uma vida junto, numa parceria feita de amor e lealdade. E que, quando se encontra uma joia rara, não basta admirar – é preciso cuidar e alimentar o amor, guardar sempre no peito como pérola na concha.

Em 2015 tive certeza do que o meu coração já dizia há tempos: posso ter vários amigos, uma família incrível, um amor tesouro – mas meu único porto seguro é a escrita. Minha única âncora é a caneta. E o papel meu lar. E não há nada de errado nisso. Na verdade,  isso é mais do que algum dia eu poderia sonhar ter.

Em 2015, sozinha – e inteira – consegui entrar no mestrado. Publicar um romance, que pode não ter bombado na mídia – mas que me deixou satisfeita, feliz com o resultado. Aquelas páginas, em que joguei tanto de mim mesma, tocaram tanta gente desconhecida, pessoas que me escreveram agradecendo, que sentiram que o texto as tocou de alguma forma única. E não há dinheiro nem página no Prosa e Verso que me inundam com tanto amor.

Esse ano quebrei a cabeça de tanto estudar. Também quebrei a cabeça no buffet chinês que a minha cunhada deixou lá em casa – 6 pontos no couro cabeludo, dois meses em pânico de sair de casa e desmaiar novamente, um susto enorme para o meu namorado e minha BFF, que cuidaram de mim como só quem é família cuida.  Mas estamos aí – mais fortes, mais atentos, exigindo menos dos outros, exigindo menos de nós. Perdoando quem não consegue pedir desculpas. Aceitando a ausência de quem não quer mais participar do sitcom das nossas vidas. Abrindo o peito para quem tiver boa intenção e quiser entrar.

2016, seja bem-vindo. Come as you are – but please, mind the flowers

 

 

Um comentário sobre “2016: Come as you are – but please, mind the flowers

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *