Arquivos da categoria: ORELHAS

Autorretrato, de Raïssa de Góes

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O que constitui um autorretrato?– pergunta Raïssa. Como chamar de “eu mesmo” um objeto destacado de si próprio? Para pensar e escrever sobre esta categoria deretrato, a autora tira uma foto do próprio rosto, observa a imagem por segundos – dessa sequência de gestos surgem vozes, riscos e traços que, se parecem vir de um tempo ambíguo entre o futuro e o passado, ganham corpo no momento presente da escrita – e da leitura.

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Comer animais, de Jonanthan Safran Foer

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Comer animais, de Jonathan Safran Foer (Rocco, 2010)

Jonathan Safran Foer sempre comeu carne, adorava o seu sabor, seu cheiro, sua textura; e como muitos de nós, tentava não pensar no itinerário percorrido pela carne até virar hambúrguer. Ao longo da sua juventude, o escritor oscilou entre o vegetarianismo sazonal e uma dieta onívora, que incluía desde bacons suculentos a um ingrediente menos saboroso – a culpa. Prestes a se tornar pai, ele começa a questionar mais seriamente suas escolhas de vida – é aí que a busca por uma dieta mais humana adquire, para ele, um caráter de urgência.

Foer percebeu que, antes de incluir produtos animais na dieta do filho, precisaria responder às seguintes questões: de onde vem a carne que comemos? Como os animais são tratados? Quais os efeitos econômicos, sociais e ambientais que todo este consumo de animais provoca? Para obter respostas, ele se infiltrou pela calada da noite em matadouros,  percorreu fazendas de criação e visitou seus abatedouros; conversou com fazendeiros, criadores, ativistas, vegetarianos e “carnívoros” convictos.

Além do valor nutricional, ele explorou o fator emocional presente em cada refeição, a relação entre comida e afeto, passada de geração em geração; pesquisou sobre a convivência ancestral entre homens e animais, os laços de utilidade e afeição que a rodeiam. O que ele descobriu, após três anos de pesquisa intensa,  mudou a sua relação com a comida – e poderá também mudar a sua.

Mais do que uma defesa do vegetarianismo, Comer animais  mostra que comer pode ser um exercício de ética, e que uma das maiores oportunidades de viver de acordo com nossos valores passa por aquilo que colocamos em nosso prato. Sem pregar nem ditar regras, longe de quaisquer radicalismos, Foer nos estimula a buscar uma dieta mais consciente, que respeite a nossa saúde, a dos nossos filhos e a do planeta. Legumes ou carne, frango orgânico ou industrial? São as decisões diárias mais simples que podem moldar – e mudar – o mundo em que vivemos.

São Sebastião Blues

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São Sebastião Blues, de Myriam Campello (7Letras, 2012)
São Sebastião Blues, de Myriam Campello (7Letras, 2012)

Laura Morandi é a escritora bem-sucedida que nasceu para os holofotes. Famoso e rico, David coleciona mulheres e prêmios literários. Aurora escreve arrepiantes histórias infantis, Ceno, lê, come, edita. Julia é a autora insegura e reclusa cujo nome, além de intrigar curiosos, lança um flash de luz na memória de Laura.

Eles são a nata da literatura contemporânea nacional e estão envolvidos no maior prêmio literário do Brasil. No Rio de Janeiro ensolarado e azul, onde “mar e sol devoram tudo”, escrevem e reescrevem os seus enredos pessoais – tão universais – e enfrentam o embate diário entre o papel, o peito e o próprio pulso. Esses personagens se cruzam no tabuleiro de acasos e jogadas da vida, até que uma nova peça –  a jovem Leonora – chega para reavivar as faíscas entre dois corações.

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Somente a verdade, de Fernando Paiva

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Somente a verdade, de Fernando Paiva (7Letras, 2013)

Quando tinha apenas cinco anos, Mario Lucachesi  viu o pai embarcar em mais uma de suas viagens misteriosas, mas desta vez não mais para trazer os tão ansiados chocolates belgas – para nunca mais voltar. A foto da lápide e as lágrimas da mãe atestavam a morte do patriarca, mas Mario nunca se convenceu.

O menino cresce e se torna estudante de história, guia turístico premium, filho modelo e um legítimo membro do Clube dos Mentirosos; e como tal, mestre na arte de vender ilusões, criando histórias tão sofisticadamente ilusórias que soam mais verossímeis que a pobre realidade, tão nua e crua.

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Minha vida como bactéria, de Anibal Cristobo

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Minha vida como bactéria, de Anibal Cristobo (7Letras, 2014)
Minha vida como bactéria, de Anibal Cristobo (7Letras, 2014)

Minha vida como bactéria, de Anibal Cristobo, é a edição bilíngue dos poemas de Krakatoa, publicado originalmente pela editora argentina Zindo & Gafuri, 2012. Na tradução das poetas Marilia Garcia e Luciana de Leone, os versos de Anibal fluemcom vivacidade e verdade no ritmo e no som do português, revelando seus experimentos, jogos e movimentos para os leitores brasileiros.

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Como se tornar um escritor cult de forma rápida e simples, de Rafael Gutierrez

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Como se tornar um escritor cult de forma rápida e simples (7Letras, 2013)
Como se tornar um escritor cult de forma rápida e simples (7Letras, 2013)

Ele poderia ser apenas mais um rapaz latino-americano de classe média, com família e emprego estável, se desde pequeno não fosse obcecado pela ideia de se tornar um escritor cult. Não é tarefa fácil – ou pelo menos não tão fácil quanto ser um best-seller ou um autor sério, reconhecido pela crítica. Para conquistar o estatuto de cult é necessário uma complexa combinação que envolve uso de pseudônimos, publicações raras, rebeldia em relação às convenções literárias e sociais, solidão, anonimato – além da genialidade, claro.

Nada que demovesse nosso aspirante a escritor cult. Com ajuda de dois amigos da Oficina Literária da Universidade, ele elabora um plano minucioso – que inclui leitura comparativa de grandes nomes da literatura e a escrita de obras que replicassem, com algumas variações decisivas, os estilos analisados.

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A arte de salvar um casamento, de Thiago Picchi

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Não se deixe enganar pelo título, leitor incauto: A Arte de salvar um casamento não é um livro de autoajuda, muito menos um manual para relacionamentos em crise. Longe das fórmulas convencionais deste gênero, Thiago Picchi tece narrativas que surpreendem pela ironia sagaz e pela sensibilidade, flutuando, com habilidade de escritor maduro, entre o lírico, o surreal, e o tragicômico.

No conto que dá nome ao livro, um marido assiste à transformação da esposa quarentona, após anos de casamento, em aluna de Belas Artes. Uma viagem à Minas se torna o verdadeiro teste para a relação: ele se fascina com as igrejas de Ouro Preto e ela, impaciente, o arrasta até Inhotim, onde ele é o único “careta” entre rapazes pálidos, barbudos e aparentemente deprimidos, parte do séquito de amantes da arte conceitual.

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