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Furta-cores em Portugal

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Descobri por acaso que a Ana Lopes, autora do blogue literário O sabor dos meus livros escreveu essa resenha no link sobre o Furta-cores, meu primeiro livro de contos.
Feliz por ver o caminho de volta desse livro a Portugal, meu canto, e onde vários contos foram rascunhados; ver esse livro-barquinho remando e encontrando seus leitores ainda que sozinho, sem agente, nem gente, nem grande máquina editorial para dar aquela ajudinha

um pouquinho do texto da Ana:
“Desde as primeiras palavras do primeiro conto somos atingidos pelo poder, poesia e magia da escrita desta autora brasileira. A doçura, a sonoridade, os cheiros e a ternura que transportam as palavras que escreve e combina são memoráveis e fizeram com que fosse sublinhando e anotando trechos de uma beleza e sensibilidade que eu considero perfeitas, porque nos entram na alma e tocam no nosso lado mais íntimo e emotivo.”

+ aqui 

(atenção: deem uma olhada pelo blogue, a Ana dá dicas preciosas de leitura, e as resenhas são sensíveis, sinceras e críticas, com um olhar agudo e generoso, sem crueldade gratuita. Os leitores e autores agradecem: )

Cidadão carioca (Arte Ensaio, 2015)

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(Arte Ensaio, 2015) Textos: Cristina Parga Fotos: Luiz C. Ribeiro
(Arte Ensaio, 2015)
Cristina Parga
Fotos: Luiz C. Ribeiro

Em Cidadão Carioca, os leitores (brasileiros e estrangeiros, porque o livro é bilíngue) poderão conhecer um grupo de cariocas muito especial: cidadãos comuns, que investem no amor à própria arte e resistem em ofícios quase obsoletos numa metrópole cosmopolita como o Rio de Janeiro. Sem medo da concorrência de produtos baratos vindos de fora, esses cariocas nunca desistiram de suas atividades artesanais, e são sinônimo da capacidade de se reinventar e adaptar um ofício exercido há décadas aos tempos modernos.

Mais do que um exemplo de que a insistência , talento e vontade de batalhar levam ao sucesso, esses anônimos famosos na cidade mostram que é possível não apenas sobreviver – mas ser bem-sucedido – apostando na verdadeira paixão, mesmo que esta seja um ofício praticamente extinto nos dias atuais. E que é possível sim, vencer – e ser valorizado – em atividades delicadas, minuciosas e muitas vezes invisíveis, que demandam tempo, habilidade e persistência – neste mundo contemporâneo, fugaz e veloz.

Bem diferente de um livro de ficção, um livro feito a partir de entrevistas demanda uma atenção, sensibilidade e respeito ao entrevistado – e responsabilidade na hora de montar um texto com declarações do outro. Mas foi uma delícia fazê-lo, desde o início: a pesquisa de cada “personagem”, o contato inicial, a surpresa com  a paixão com que cada entrevistada falava de seu trabalho, a descoberta de tantas filigranas e minúcias em ofícios para nós quase invisíveis hoje em dia.

Algumas das entrevistas mais especiais foram com Dona Anália, cerzideira, e o Dr. Toys, “médico” de bonecas e brinquedos.

analia_cerzideiraAos 74 anos,  Dona Anália dirige a loja “Alfaiate mágico” – a mais tradicional de Copacabana. O ofício, que aprendeu aos 17 sob os olhos atentos da mãe, está no seu sangue, ela diz. Nunca teve dúvidas de sua vocação: recuperar roupas e tecidos, devolvendo vida a uma peça que muitas vezes tem todo um significado emocional para o cliente.

Leia mais Continue lendo Cidadão carioca (Arte Ensaio, 2015)

Menção honrosa no VII Prêmio Paulo Britto

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Os textos vencedores do VII Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia, já estão lá no blog do Plástico Bolha. Tem o “Tireoide”, vencedor de poesia, da Maíra Fernandes de Melo e o
“A casa Queima”, (prosa), da Clarisse Zarvos – ambos mais que merecidos!

E tem também “Extração de minérios” um poema meu que ganhou menção honrosa.
É, um poema – também ainda não me recuperei do choque.

Segue abaixo para quem tem preguiça de abrir link:

Extração de Minérios

Toda palavra
pedra bruta

Toda palavra
minério explode

jazidas

lavra
até o fino brilho do metal
precioso da terra

[e permanece selada
sem poros – rocha]

Leia todos os textos vencedores aqui 

“Qualquer areia é terra firme” – resenha

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A Maynnara Jorge da Revista Pólen escreveu uma resenha super clara e generosa sobre  “Qualquer areia é terra firme”. Agora já sei o que fazer quando me  perguntarem “é sobre o quê?” “qual é a história?”,  “qual é a mensagem”, “tem cenas de sexo”e outras perguntas mais difíceis – só ler a resenha aqui ó.

Mas deixo um trechinho aqui porque fiquei super feliz e quero compartilhar :)

“No livro, acompanhamos a readaptação da personagem a cidade do Rio de Janeiro que, embora ela tenha vivido lá grande parte da sua vida, já não mais parece a sua casa. Mas não é só isso, é também o processo de amadurecimento e reconciliação com a própria vida que a Isabel passa ao longo dos capítulos.

No meio desse turbilhão de confusões na qual a cabeça de Isabel se encontra, ela acaba por descobrir uma trama digna de novela dentro da sua própria família quando viaja com a sua mãe para São Luís e descobre uma tia que ela nunca tinha ouvido falar, mas que a deixa curiosa e um tanto quanto obcecada para saber mais sobre a sua história. O mais legal é perceber que enquanto procura saber mais sobre sua tia Juce, Isabel acaba também por se encontrando aos poucos.

Um dos meus trechos preferidos foi justamente o que ela fala que “Lembramos das coisas por partes, pedaços, lampejos de imagem que despontam e nos assaltam”. Que casa maravilhosamente bem com a narrativa dessa história que embora tenha uma parte do presente, vem marcada por lembranças e cenas do passado de Isabel que se confundem e se misturam em seus sonhos.”

Qualquer areia é terra firme – onde comprar

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Na vitrine da Travessa de Ipanema                autografo

O lançamento foi incrível – foi muito bom receber todo o carinho e apoio de leitores e amigos maravilhosos.

Com a autora e amiga Susana Fuentes
Com a autora e amiga Susana Fuentes
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Com Veronica Montezuma e Sofia Soter, da Capitolina
Com Emma Carnhagen
com Rejane Petini
com Rejane Petini

Mas se você perdeu, não tem problema! Deixo aqui o endereço das livrarias físicas e online onde é possível encontrá-lo (em breve coloco mais):

Livraria Travessa (lojas físicas:)

LOJA BARRA SHOPPING: Avenida das Américas, 4.666 – nível américas loja 220, Rio de Janeiro | telefone (21) 2430-8100
LOJA SHOPPING LEBLON: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon, Rio de Janeiro, 2º piso | telefone (21) 3138-9600
LOJA IPANEMA: Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema, Rio de Janeiro | telefone (21) 3205-9002
LOJA BOTAFOGO: Rua Voluntários da Patria, 97 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ, 22270-000 | telefone (21) 3195-0200
LOJA CENTRO – RIO BRANCO: Avenida Rio Branco, 44 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20090-004 | telefone (21) 2519-9000
LOJA CENTRO – CCBB: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20010-000 | telefone (21) 3808-2066
LOJA CENTRO – 7 DE SETEMBRO: Rua 7 de Setembro, 54- Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20050-009 | telefone (21) 3231-8015

TRAVESSA ONLINE

Livraria da editora 7Letras
Loja fisica: Rua visconde de Pirajá, 580/320 Ipanema, Rio de Janeiro (3º andar da galeria)

7LETRAS – LIVRARIA ONLINE

Carga Nobre  LIVRARIA ONLINE

Loja física:- Puc-Rio

R. Marquês de São Vicente, 225 – Gávea, Rio de Janeiro – RJ
Telefone:(21) 2259-0195

Qualquer areia é terra firme – em breve

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CAPACortada

“A história é a mesma de sempre”, diz a narradora na abertura do livro, ainda sem saber quantas histórias cabem no futuro – ou mesmo no passado. Personagem em fuga (ou em busca), presa numa espécie de antiexílio depois de voltar ao país natal – com as lembranças (e os amores) de sua temporada europeia ainda ecoando vivamente no presente –, Isabel descobre uma trama novelesca dentro de sua própria família, e aos poucos terá que montar um verdadeiro quebra-cabeças para reconstruir a vida de Juçara, ou Juce – a jovem que lhe sorri de longe, de um velho álbum de retratos.

Com uma prosa certeira e original, Cristina Parga nos leva a experimentar os mais diversos cenários e sabores à medida que nos envolve num enredo de espelhamentos e descobertas.

Enquanto a narradora segue as pegadas de Juçara (para nela encontrar um pouco mais de si mesma), seguimos os passos de Isabel nessa busca – e nela descobrimos também um pouco mais de nós mesmos.

Se qualquer areia pode às vezes ser movediça, assim como é possível ser  quase um estrangeiro em seu próprio país, é no tênue equilíbrio entre as emoções e as vivências que se constrói este belo romance. Antes que se perceba, aquela mesma história já é outra – e estamos irremediavelmente enredados em seus labirintos, como sempre acontece com os bons livros, impossíveis de largar.

Jorge Viveiros de Castro

Contos à venda na Amazon

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Angélica

Desligo o telefone e tento processar sonho, notícia, mas não consigo. Sentir nada. Fico estática. Olho para a jarra e vejo os botões murchando, flores que nunca se abrirão, nunca mais. Daquelas já abertas despencam pétalas, uma, duas, oito, conto – analisando perdas e danos. As que resistem me olham em desafio, exalando esse perfume que não distingo mais do meu. Corro para o espelho –meus olhos também estão pequenos, ferinos, como essas pequenas estrelas que guardam um mistério podre em seu núcleo. Intuitivamente tiro toda a roupa e me enfio num banho, esfrego a pele até arranhá-la mas não consigo me ver livre desse odor, dessas pétalas, das promessas desses botões que murcham. Não consigo me livrar porque a seiva já corre aqui dentro como sangue, nutrindo órgãos e cabelos que caem pelo azulejo azul do box em teias labirínticas de aranha.

Acontece às vezes

Sabia que a culpa era sua, sempre foi. Ela que não quis enfrentar fatos, que compreendeu além do compreensível. Ela que acreditou em cabeleireiros, em vestidos. Que acreditou em algum controle. Fecha o armário – de que vale tantas roupas – mas não consegue chorar, o choro também não tem porquê. A ferida não sangra, mas reabre a cada movimento mínimo lembrando que o melhor é ficar parada – como se, imóvel, o mundo não girasse, não se movesse sob os seus pés.

   Os afogadosum passatempo

No sonho vivíamos perto da praia. Perto de uma falésia de onde as pessoas se atiravam. Toda a semana. Pelo menos um ou dois por mês. Aquilo se tornou um passatempo: passeávamos na beira d’àgua à procura dos corpos que davam à costa – tocávamos fascinados a pele fria azulada e examinávamos os olhos baços, revirados.

 

A cor e a eloquência em “Furta-cores”, de Cristina Parga  

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Por Pedro Demenech

São raras as palavras para definir e apresentar um livro como o que ando lendo, por esses dias.

Capa do livro “Furta-cores” de Cristina Parga

O livro Furta-cores de Cristina Parga é uma peça rara no hall da novíssima literatura brasileira. Nem cânon nem marginal. Por que? De modo simples e doce, a autora traz para sua escrita cor e eloquência em seu primeiro livro, publicado em 2012. Esmiucemos melhor do que se trata.

Poderíamos inserir a precisão artística de Furta-cores numa tradição que começa, por exemplo, com A. P. Tchekhov e se estende, por exemplo, até a narrativa de Honorio Bustos Domec e Benito Suárez Lynch por se tratar autores que flertaram com o gênero literário do conto. De fato, a relação entre Cristina e essa tradição só nos traria benefícios, uma vez que, ao olhar deste escritor, a qualidade maior dessa autora é a inventividade.

Contos como “Adágio” e “Playground Europa” flertam com o espaço da cidade como o lugar em que o narrador se coloca para nos contar sua história. Porém, não se trata da cidade-unidade mas daquela cidade-fragmento, vívida somente no íntimo de nossas experiências. Ainda que tentando ser escrito como peça musical, “Adágio” não é nem um pouco lento.

A escritora habilidosamente ao fazer uma descrição “sereníssima” de Lisboa e transformando-a numa espécie de Veneza, nos faz claudicar por cantos da cidade, que mesmo serena por dentro acaba pesando e agitando a vida interior daqueles que habitam-na. Seria como se a autora nos fizesse ver por, no mínimo três olhares diferentes, o entrecruzamento de diversos flâneurs que experimentam a cidade singularmente em que cada um “[d]Os mapas são acessados com a ativação dos circuitos neuronais,algo independente da memória”. Pessoas habituadas à cidade mas que se perdem interiormente.

“Playground Europa” também faz o leitor se diluir, ainda mais. Cada frase, curta e cintilante leva o leitor, dessa vez, a ser nômade e se perder “[n]a paisagem de planície, [n]os campos desertos e secos, sem fim”. Linha por linha, Cristina vai urdindo uma espécie de platô em que liso e poroso convivem mutuamente, ainda que em constantes conflitos.

Eis, então, duas questões que chamam a atenção nessa leitura: a eloquência com que Cristina pinta seu texto e a cor que vai preenchendo-o.

A autora, longe de ser metafísica, é tão eloquente que pode irromper com simplicidade e candura toda e qualquer forma de falsa sobriedade. Há na autora uma mescla, ainda que sútil, de erudição e contenção. O diálogo com a Bíblia, o flerte com Walter Benjamin acabam sendo escamoteados pelas cores que vão pulando das páginas, através de nosso olhar.

Nesse sentido, o Furta-cores não rouba a atenção por neutralizar cores. Ao contrário, a autora vai produzindo um prisma sobre a literatura e dissecando, conto a conto, cada elemento da vida. E, ainda que pareça simples, no primeiro olhar; ainda que pareça de fato não haver cor alguma no livro; ainda que seja difícil chegar às questões da autora, é perfeitamente possível notar que após a experiência de leitura a gente mire o mundo de modo mais intenso e menos duro. Porém, engana-se aquele que diz não haver razão na escrita da autora.

Poucos são aqueles que em seu primeiro livro, e logo no primeiro conto do livro, abrem margem para uma reflexão sobre qualquer tipo de tradição. E por que com Cristina seria diferente? Ora pela sinestesia, ora pelo prazer que causa a leitura. De fato, a cada cor Furta-cores só nos mostra a que veio: mostrar que a ficção, ainda que rápida, é capaz de mudar radicalmente a realidade.

Fonte: A cor e a eloquência em “Furta-cores”, de Cristina Parga |

Furta-cores

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Contos, 2012

Furta-cores é um daqueles livros que não é apenas para ser lido: é para ser saboreado a cada releitura, em todas as suas texturas, cores, perfumes e sons. Os contos de Cristina Parga nos levam a redescobrir o gosto da língua, num percurso pelas mais íntimas paisagens estrangeiras – revelando com delicadeza os encontros e desencontros entre as mais diversas solidões humanas.