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“Qualquer areia é terra firme” – resenha

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A Maynnara Jorge da Revista Pólen escreveu uma resenha super clara e generosa sobre  “Qualquer areia é terra firme”. Agora já sei o que fazer quando me  perguntarem “é sobre o quê?” “qual é a história?”,  “qual é a mensagem”, “tem cenas de sexo”e outras perguntas mais difíceis – só ler a resenha aqui ó.

Mas deixo um trechinho aqui porque fiquei super feliz e quero compartilhar :)

“No livro, acompanhamos a readaptação da personagem a cidade do Rio de Janeiro que, embora ela tenha vivido lá grande parte da sua vida, já não mais parece a sua casa. Mas não é só isso, é também o processo de amadurecimento e reconciliação com a própria vida que a Isabel passa ao longo dos capítulos.

No meio desse turbilhão de confusões na qual a cabeça de Isabel se encontra, ela acaba por descobrir uma trama digna de novela dentro da sua própria família quando viaja com a sua mãe para São Luís e descobre uma tia que ela nunca tinha ouvido falar, mas que a deixa curiosa e um tanto quanto obcecada para saber mais sobre a sua história. O mais legal é perceber que enquanto procura saber mais sobre sua tia Juce, Isabel acaba também por se encontrando aos poucos.

Um dos meus trechos preferidos foi justamente o que ela fala que “Lembramos das coisas por partes, pedaços, lampejos de imagem que despontam e nos assaltam”. Que casa maravilhosamente bem com a narrativa dessa história que embora tenha uma parte do presente, vem marcada por lembranças e cenas do passado de Isabel que se confundem e se misturam em seus sonhos.”

A cor e a eloquência em “Furta-cores”, de Cristina Parga  

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Por Pedro Demenech

São raras as palavras para definir e apresentar um livro como o que ando lendo, por esses dias.

Capa do livro “Furta-cores” de Cristina Parga

O livro Furta-cores de Cristina Parga é uma peça rara no hall da novíssima literatura brasileira. Nem cânon nem marginal. Por que? De modo simples e doce, a autora traz para sua escrita cor e eloquência em seu primeiro livro, publicado em 2012. Esmiucemos melhor do que se trata.

Poderíamos inserir a precisão artística de Furta-cores numa tradição que começa, por exemplo, com A. P. Tchekhov e se estende, por exemplo, até a narrativa de Honorio Bustos Domec e Benito Suárez Lynch por se tratar autores que flertaram com o gênero literário do conto. De fato, a relação entre Cristina e essa tradição só nos traria benefícios, uma vez que, ao olhar deste escritor, a qualidade maior dessa autora é a inventividade.

Contos como “Adágio” e “Playground Europa” flertam com o espaço da cidade como o lugar em que o narrador se coloca para nos contar sua história. Porém, não se trata da cidade-unidade mas daquela cidade-fragmento, vívida somente no íntimo de nossas experiências. Ainda que tentando ser escrito como peça musical, “Adágio” não é nem um pouco lento.

A escritora habilidosamente ao fazer uma descrição “sereníssima” de Lisboa e transformando-a numa espécie de Veneza, nos faz claudicar por cantos da cidade, que mesmo serena por dentro acaba pesando e agitando a vida interior daqueles que habitam-na. Seria como se a autora nos fizesse ver por, no mínimo três olhares diferentes, o entrecruzamento de diversos flâneurs que experimentam a cidade singularmente em que cada um “[d]Os mapas são acessados com a ativação dos circuitos neuronais,algo independente da memória”. Pessoas habituadas à cidade mas que se perdem interiormente.

“Playground Europa” também faz o leitor se diluir, ainda mais. Cada frase, curta e cintilante leva o leitor, dessa vez, a ser nômade e se perder “[n]a paisagem de planície, [n]os campos desertos e secos, sem fim”. Linha por linha, Cristina vai urdindo uma espécie de platô em que liso e poroso convivem mutuamente, ainda que em constantes conflitos.

Eis, então, duas questões que chamam a atenção nessa leitura: a eloquência com que Cristina pinta seu texto e a cor que vai preenchendo-o.

A autora, longe de ser metafísica, é tão eloquente que pode irromper com simplicidade e candura toda e qualquer forma de falsa sobriedade. Há na autora uma mescla, ainda que sútil, de erudição e contenção. O diálogo com a Bíblia, o flerte com Walter Benjamin acabam sendo escamoteados pelas cores que vão pulando das páginas, através de nosso olhar.

Nesse sentido, o Furta-cores não rouba a atenção por neutralizar cores. Ao contrário, a autora vai produzindo um prisma sobre a literatura e dissecando, conto a conto, cada elemento da vida. E, ainda que pareça simples, no primeiro olhar; ainda que pareça de fato não haver cor alguma no livro; ainda que seja difícil chegar às questões da autora, é perfeitamente possível notar que após a experiência de leitura a gente mire o mundo de modo mais intenso e menos duro. Porém, engana-se aquele que diz não haver razão na escrita da autora.

Poucos são aqueles que em seu primeiro livro, e logo no primeiro conto do livro, abrem margem para uma reflexão sobre qualquer tipo de tradição. E por que com Cristina seria diferente? Ora pela sinestesia, ora pelo prazer que causa a leitura. De fato, a cada cor Furta-cores só nos mostra a que veio: mostrar que a ficção, ainda que rápida, é capaz de mudar radicalmente a realidade.

Fonte: A cor e a eloquência em “Furta-cores”, de Cristina Parga |

Rioetc

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A superculta Cristina Parga morou 10 anos em Portugal e agora faz mestrado em literatura na PUC. Já está no seu segundo livro, o romance “Qualquer Areia é Terra Firme”, com lançamento previsto para junho, pela editora 7 Letras.

Seu livro de cabeceira é “Graça Infinita“, do David Foster Wallace, e entre seus escritores favoritos estão o Thomas Mann e Alice Sant’anna (já fizemos uma entrevista com ela aqui, ó).

Cristina é mais uma personagem da ação #100diasdeoculos, e contou para nós que os melhores lugares para ter inspirações e para escrever são: igrejas, praias, mirantes e o trem!

(fonte: http://www.rioetc.com.br/publieditorial/qualquer-areia-e-terra-firme/)