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leonilson – bordando afetos

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Nascido no Ceará e criado em São Paulo, viajante, nômade e cigano – como sua mitologia poética define, Leonilson surpreende pela delicadeza de suas obras, que mesclam bordados, gravuras, poemas e tecidos. Costurando memórias, afetos, imagens e anotações de viagem, Leonilson borda linhas e elementos para dar corpo aos seus afetos no tecido, numa arte tão autobiográfica que ao comover o espectador se torna universal.

Bordar é inscrever com linha palavras, imagens, conceitos. O convívio com panos, linhas e agulhas na casa materna, a herança cultural nordestina e a admiração pelo trabalho de Bispo do Rosário podem explicar o que levou Leonilson (1957-1993) a introduzir o bordado em seu percurso artístico. A palavra feita de linha ganha intensidade e força no silêncio dos grandes espaços vazios que surgem nas obras do artista. A palavra bordada ganha significados, sentidos e dimensão plástica.

empty man 1991.jpg

Numa aparente despreocupação com a forma, o bordado deixa de ser ornamento para virar personagem, elemento que chama atenção para as margens dos tecidos com mensagens plenas de sentido e de enigmas. Nessas obras, o suporte tem uma participação importante – a leveza, textura, caimento, transparência dos tecidos dialogam com as palavras costuradas nas extremidades – como se demarcassem territórios afetivos, inscrevendo um “eu” à margem.

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As mulheres de Francesca

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Em 1981, com apenas 22 anos, Francesca Woodman suicidou-se – deixando uma obra fotográfica composta maioritariamente por autorretratos femininos, impenetráveis e, ao mesmo tempo,fantasmagoricamente irresistíveis. Como num jogo de sedução, a modelo se esconde e revela pela lente da câmera, capturando uma infinidade de mulheres que nos observam de algum espaço-tempo a que não temos acesso – que nos encaram quase no milésimo de segundo antes de se dissolverem e escaparem à nossa compreensão.

Quase como um statement do feminino. Nos autorretratos de Francesca Woodman, o corpo escorre em traços contínuos, fluidos – ilusórios – camuflando-se no background como um objeto decorativo, imóvel – porém pulsando em movimento. Desnudando-se para a câmera, as mulheres de Francesca transcendem o real e secretam, ante o observador atônito, a seiva de uma vida interior, hipnótica e turva. Os flashes de luz captam relâmpagos da psiche aflorando à superfície da pele. A psiche difusa, silente, fugidia.

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