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Furta-cores em Portugal

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Descobri por acaso que a Ana Lopes, autora do blogue literário O sabor dos meus livros escreveu essa resenha no link sobre o Furta-cores, meu primeiro livro de contos.
Feliz por ver o caminho de volta desse livro a Portugal, meu canto, e onde vários contos foram rascunhados; ver esse livro-barquinho remando e encontrando seus leitores ainda que sozinho, sem agente, nem gente, nem grande máquina editorial para dar aquela ajudinha

um pouquinho do texto da Ana:
“Desde as primeiras palavras do primeiro conto somos atingidos pelo poder, poesia e magia da escrita desta autora brasileira. A doçura, a sonoridade, os cheiros e a ternura que transportam as palavras que escreve e combina são memoráveis e fizeram com que fosse sublinhando e anotando trechos de uma beleza e sensibilidade que eu considero perfeitas, porque nos entram na alma e tocam no nosso lado mais íntimo e emotivo.”

+ aqui 

(atenção: deem uma olhada pelo blogue, a Ana dá dicas preciosas de leitura, e as resenhas são sensíveis, sinceras e críticas, com um olhar agudo e generoso, sem crueldade gratuita. Os leitores e autores agradecem: )

Wishwanderer

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Do outro lado da cama, a caixinha vela o seu sono calada, conchas e pérolas e opalas multicores no róseo útero de cetim. Quieta, a caixinha com suas joias, quieta como o fundo do mar. Mas a menina sonha com avenidas largas e barulhentas, céu embranquecendo o chão de pedras deslizantes pela calçada, geladas pelo inverno. A menina sonha e no sonho as janelas se partem crepitando pelo quarto, ferindo os lençóis em pequenas estrelas sem sentido. If my heart freezes I wont feel the breaking. Dedos distraídos tocam a caixa, erguem a tampa ante o rosto sobre o travesseiro: a música toca e a bailarina desliza, rodopia no espelho de gelo, roda incessante – a caixinha fecha e abre, fecha e abre para olhos gulosos, molhados de sono. E a bailarina tonta não comanda os passos, não manda nos músculos. E a bailarina tonta, os pés se movem sozinhos, sem nunca tocar o chão.

Orientes possíveis, de Mayumi Aibe

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Orientes posssíveis (contos, 7Letras, 2015)
Orientes posssíveis (contos, 7Letras, 2015)

Se a arte da escrita pode ser invisível como a criação de um jardim – cada palavra disposta como pedra, cada frase trabalhada como o podar de um arbusto, a habilidade do autor como rastro do jardineiro anônimo, é nesse jogo de (in)visibilidade, talento e concentração que se erguem os Orientes possíveis de Mayume Aibe.

Num misto de ensaio, prosa e poesia, a autora recolhe sedimentos da memória – a sua e a de seus antepassados – para traçar com precisão minimal paisagens de pedras, poemas e histórias, que como ideogramas, se desdobram em leque de interpretações.

Continue lendo Orientes possíveis, de Mayumi Aibe

Furta-cores

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Contos, 2012

Furta-cores é um daqueles livros que não é apenas para ser lido: é para ser saboreado a cada releitura, em todas as suas texturas, cores, perfumes e sons. Os contos de Cristina Parga nos levam a redescobrir o gosto da língua, num percurso pelas mais íntimas paisagens estrangeiras – revelando com delicadeza os encontros e desencontros entre as mais diversas solidões humanas.

Alien land

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The cold dolma at the counter of the improvised Turkish bar at the fair. Children running amidst the tables, veiled girls sporting gloss on their lips and pink nails tapping on hyperactive phones. Fifteen-year old Arab queens. Hot tea creating moist on the glass, awakening the ice-cold fingers one by one. Memory, too, awakens when least expected — just like warm water over skin, only a few seconds may lie between relief and pain.
Mirror fragments behind the bar counter are suddenly united, reflecting the strange image of a look I do not recognise, a look that does not recognise me. I leave €2.50 and go out. On the other side of the street, I am attracted by earthly red saffron and couscous on the stand of the girl in a green scarf who smells of cumin. Incense — I do not know the smell, but I know it — the feeling follows me through the fair in every look, in every step within this labyrinth of colour and taste, in every new word I do not understand. Dark eyes which find me strange and cannot read me. I come from myself, what about you, are you from here? Is the city already yours or is already impossible to distinguish the two of you? Home, native land. Postcards without sending addresses. Without a receiving address, a date. Without sense.
[People do not move outside the fair, stuck to their coats.]
Woher kommen Sie?, the question I never grasp. I stutter and try, in the seconds that last centuries, to find out what is the best place for me to come from at that moment. Or from where I feel like I come from, at this one.
from “Furta-cores”, (7Letras, 2012). Translated by Pedro Sette-Câmara

Revista Lado 7 – n. 5

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Publicação do conto “Exílio”, ao lado de autores e artistas c Victor Heringer, Pascal Quignard, Erika Mattos da Veiga, Ronaldo Bressane, Sama, Laura Assis, Isadora Krieger, Luca Argel, Oswaldo Martins, Gustavo Rubim, Maurício Duarte, Raîssa de Góes, Denilson Cordeiro, Cândido Rolim, Rafael Sperling, Daniel R. Bonomo,  Martin Janowski, Paloma Vidal e Marília Garcia.