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depressão: quando o demônio não é tão feio assim

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“Com depressão, você não pensa que pôs um véu cinza e vê o mundo através da névoa do mau humor. Pensa que retiraram o véu da felicidade, e que agora você vê de verdade – diz Andrew Solomon, em “O demônio do meio-dia”. O que ninguém fala, pois dessa doença não se fala – é o que o feio demônio pode revelar sobre nós. Ele nos recorda que somos frágeis, humanos. Nos obriga a sair da roda de hamster de produção e consumo e repensar no que realmente desejamos. E pode trazer à tona recursos internos submersos – e preciosos.

A depressão é o segredo de toda família – Andrew Solomon diz, em O demônio do meio-dia. Ninguém quer falar sobre o tema – ou, quando falam ou escrevem, geralmente é com uma aura de romantização, que só dificulta o entendimento deste distúrbio mental sério, que pode levar à morte.

Sim, à morte. Ao suicídio – outro tabu: parece que, ao sair da nossa boca, essa palavra contamina todo o ar, gerando uma epidemia de “negatividade”, para os mais esotéricos, ou de “problemas”, para os mais pragmáticos.

Nesse mundo de relações líquidas, trabalhos alienantes e uma cobrança crescente pela produtividade e sucesso em todas as esferas – familiar, profissional, social e até corporal– não conseguir funcionar é quase uma afronta. Uma rebelião. E isso incomoda quem está funcionando direitinho no esquema montado e por isso não quer pensar, não quer se questionar. Afinal, vai que todo o castelo de cartas da autoimagem de sucesso desmorone?

Dá para entender porque o deprimido afasta tanta gente. Afinal, ele já quer ficar sozinho mesmo – já entendeu que não há nada nem ninguém do lado de fora que possa mudar o que ele sente por dentro. Não tem muito a partilhar com os amigos – ou então, tem coisas DEMAIS a partilhar. Coisas que incomodam. Continue lendo depressão: quando o demônio não é tão feio assim

COMO LIDAR COM UM CORAÇÃO PARTIDO (SIM, O SEU)

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minha parede: a cada heartbreak um novo poema

Ao longo dos anos, desenvolvi vários métodos para cicatrizar meu coração, que virou quase uma colcha de retalhos – ou melhor, um mosaico – aparentemente frágil, mas com as peças perfeitamente coladas e coloridas. Desde o meu primeiro break-up aos 18 anos, sozinha em Portugal, até o último, com 32, aprendi várias técnicas para amenizar a dor – a maior parte delas não inclui analgésicos nem calmantes, nada que precise de receita médica. São coisas simples – o que traduzi há poucos dias para uma amiga como “kit de primeiros socorros”. E a primeira lição a aprender é: o que não colocar dentro dele – ou melhor, o que não fazer:

O que não fazer

1- Olhar fotos, reler e-mails antigos.

Let it go…let it goooo…

(Não precisa apagar também. Faz uma pasta no computador com a tag “passado” ou  “Hidden” (ou o que quiser) e joga tudo ali. Se não tiver forças nem para rever as fotos na hora de guardar nas pastas, peça ajuda a um(a) amigo(a) – eu pedi e peço sempre que não aguento.) Ps1: Se você ainda estiver na fase da raiva e precisar do ato catártico de apagar tudo, vai lá e faça. Você pode se arrepender depois, mas tem muito tempo para isso. Ps2: No caso de relacionamentos autodestrutivos, pode apagar, rasgar e usar qualquer outra técnica catártica, como tacar as fotos na fogueira. Been there, done that.

2- Mantê-lo(a) no feed de notícias, no instagram e outras redes sociais que te dão update sobre a vida alheia 

Let it go…let it gooo…turn away and slam the door

Sério. Não precisa tirar da lista de amigos do facebook se o rompimento foi tranquilo, mas você realmente quer ver fotos dele(a) com uma amiga (e convenhamos, você nunca vai pensar que é só amiga)? Tira do feed de notícias – tanto ele(a) como os amigos dele(a), pelo menos por um tempo. Ninguém fica sabendo, ninguém se sente rejeitado e você pode abrir seu computador sem que o coração acelere à procura de indícios do que ele(a) fez a noite passada.

3- Stalkear.

I don’t wanna close my eyes…don’t wanna fall sleep cause I miss you babe and I don’t wanna miss a thing

Não. Não. Isso é humano, faz parte dos nossos impulsos, mas somos seres racionais – se tem gente que larga cigarro e heroína, você é capaz de resistir ao impulso de passar madrugadas “pesquisando” perfis alheios e traçando teorias conspiratórias sobre com quem ele(a) esteve, está, ou está quase pegando. Quando der vontade, saia com seu cachorro; faça as unhas; coma meio quilo de sorvete; suba na esteira; tome um banho longo e demorado que incluia massagem com óleos, hidratação no cabelo, pele, esfoliação no calcanhar. Arrume seu armário. Faça um brownie.

Se nada disso parecer viável, ligue para um(a) amigo(a). Ligue para sua mãe. Ou chore em posição fetal na cama, até passar. PASSA.

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